I love how the lives of these women are shaped by their secrets


Miguel Serras Pereira - Até ao fim

Esperarei por ti até que as aves partam
de regresso e regressem de partida

Porque te amei como a água só amou a quilha
desse primeiro barco que singrava
em todos os seus rios um rio desconhecido.

Olga Savary

Destino é o nome que damos
à nossa comodidade
à covardia do não-risco
do não-pegar-as-coisas-com-os-dentes.


      Há a pré-destinação e o carácter. O primeiro tem a ver com a época da história em que se nasce, a família e o lugar que nos dão a luz onde se cresce. O carácter é diferente, é connosco.

Moda Alentejana - Quinta-feira da Ascensão



      António Zambujo, António Caixeiro e Bernardo Espinho num momento informal em Castro Verde. Dizer e sentir que é belo não é suficiente. Há mais. Ali, onde o sagrado e o profano parecem dar um beijo.

Paulo Leminski - Ferida

essa vida que eu quero
querida
encostar na minha
a tua ferida


      Resta tolerarmo-nos e ajudarmo-nos.

Ana Paula Inácio

deixa o tempo fazer o resto
fechar janelas
aplacar os barcos
recolher os víveres
semear a sorte
acender o fogo
esperar a ceia

abre as portas: lê a luz
a sombra, a arte do passarinheiro

com três paus
fazes uma canoa
com quatro tens um verso,
deixa o tempo fazer o resto.

      A desconstrução da vida até ao despojamento. Depois, num novo ciclo em retorno, o voltar a sonhar com mais cuidado.

Miriam Reyes

Quando muito era o teu corpo
o que a ti me prendia
e não algo mais abstracto.

Quando muito
imaginei tudo o resto.


      O carácter só o com o tempo de um relógio.

Bob Dylan - Love Minus Zero/No Limit



      O amor é maior que a verdade. Constrói-se no dia-a-dia entre o mistério e a busca da perfeição possível, mesmo integrando o corvo de Edgar Allan Poe no último verso.

Anna Remarchuk
















      Anna Remarchuk vive na cidade de Kiev e é conhecida por criar composições cromáticas com envelopes e flores. A ideia surgiu-lhe depois de ter encontrado numa gaveta, envelopes antigos que tinham pertencido à sua bis-avó "At the table there were those envelopes. I saw them together and decided to make a photo."
      O motivo da carta sugere 'envio afectivo' e significativo é ela dizer também "I want my followers to be able to understand my flowers' message without any words."

Léon Bonnat



A paz de um gesto simples.

xilre - relógio profundo

só sinto falta de ti
quando o ponteiro
estremece
ante o abismo
de um novo segundo

in, xilre

Agustina Bessa-Luís

Tudo é outra coisa; isto é só a primeira experiência da realidade. 

Manoel de Barros - Prefácio

Assim é que elas foram feitas (todas as coisas) —
sem nome.
Depois é que veio a harpa e a fêmea em pé.
Insetos errados de cor caíam no mar.
A voz estendeu-se na direção da boca.
Caranguejos apertavam mangues.
Vendo que havia na terra
Dependimentos demais
E tarefas muitas —
Os homens começaram a roer unhas.
Ficou certo pois não
Que as moscas iriam iluminar
O silêncio das coisas anônimas.
Porém, vendo o Homem
Que as moscas não davam conta de iluminar o
Silêncio das coisas anônimas —
Passaram essa tarefa para os poetas.


      Os homens, ainda hoje, roem as unhas de medo.

Aristóteles

"O belo é o esplendor da ordem."

Cartoons



Não deixa de ser verdade.

Kathleen MacInnes with Sarah Jarosz - Gur Milis Morag



O canto é em Scottish Gaelig próximo do Irish, com a qualidade das Transatlantic Sessions. Aly Bain, o tocador de fiddler, oferece a alma como os pássaros.

Albert Anker - Sleeping Girl on a Wooden Bench



      A sesta é um tempo breve para dormitar a seguir ao almoço. Esse período de sono é uma tradição em alguns países, particularmente naqueles onde o clima é mais quente. A palavra tem origem na expressão latina hora sexta, que no calendário romano correspondia à sexta hora a partir da manhã, ou seja, ao meio-dia. Os antigos sabiam o que era bom.

Nuno Júdice



Se eu definisse o tempo como um rio,
a comparação levar-me-ia a tirar-te
de dentro da sua água, e a inventar-te
uma casa. Poria uma escada encostada
à parede, e sentar-te-ias num dos seus
degraus, lendo o livro da vida. Dir-te-ia:
«Não te apresses: também a água deste
rio é vagarosa, como o tempo que os
teus dedos suspendem, antes de virar
cada página.» Passam as nuvens no céu;
nascem e morrem as flores do campo;
partem e regressam as aves; e tu lês
o livro, como se o tempo tivesse parado,
e o rio não corresse pelos teus olhos.


      Viver por um rio lento, até saborear o mistério da beleza.

Jacques Prévert



Trois allumettes une à une allumées dans la nuit
La premiére pour voir ton visage tout entier
La seconde pour voir tes yeux
La dernière pour voir ta bouche
Et l'obscuritè tout entière pour me rappeler tout cela
En te serrant dans mes bras.


  Três lumes um por um acendidos na noite
  O primeiro para ver teu rosto todo
  O segundo para ver os teus olhos
  O último a tua boca
  E a escuridão toda para lembrar tudo isso
  Apertando-te nos meus braços.


      O que obriga um homem a acender três fósforos durante a noite? Três tentativas para o pouco conhecimento de nós mesmos. A tradução é de Albino M. 

Zaz - Je Veux



Donnez moi une suite au Ritz, je n'en veux pas!
Des bijoux de chez Chanel, je n'en veux pas!
Donnez moi une limousine, j'en ferais quoi, papalapapapala
Offrez moi du personnel, j'en ferais quoi?
Un manoir à Neufchatel, ce n'est pas pour moi
Offrez moi la Tour Eiffel, j'en ferais quoi, papalapapapala

Je veux d'l'amour, d'la joie, de la bonne humeur
Ce n'est pas votre argent qui f'ra mon bonheur
Moi j'veux crever la main sur le coeur, papalapapapala
Allons ensemble, découvrir ma liberté
Oubliez donc tous vos clichés, bienvenue dans ma réalité

J'en ai marre de vos bonnes manières, c'est trop pour moi!
Moi je mange avec les mains et j'suis comme ça!
J'parle fort et je suis franche, excusez moi!
Finie l'hypocrisie moi j'me casse de là!

      Isabelle Geffroy nasceu a 1 de maio de 1980, em Tours, e é conhecida pelo nome artístico Zaz. É uma cantora francesa que mescla música francesa com o gypsy jazz - note-se a cadência andaluza na canção -  e diz o que lhe vai no corpo que anseia por liberdade, alegria, amor e bom humor. Quem sabe, com regras e responsabilidade.

Maria João Cantinho - Arqueologia de um rosto

"Não vou mandar limpá-lo", decidiu.

Decidiu o homem da mercearia
que deixara amarrotar o rosto pelas vielas
enquanto descia a calçada
e os olhos, manchados de sonhos antigos,
resvalavam para dentro.

      Já é impossível o restauro, os sulcos são fundos. Quem o mandou comprar para vender para caminhar arrependido? Numa loja, a virgindade perde-se para sempre.

Victor Dubreuil





      Victor Dubreuil,1846-1946, só pintou dinheiro e como todos os artistas tinha aí um motivo para as suas criações. Outros pintam anjos, mulheres nuas, a natureza; pois Victor Dubreuil pintava notas e nunca se cansava.

Edgar Lee Masters

Algumas almas benévolas pensavam que o meu génio
fora de algum modo prejudicado pela loja.
Mas não era verdade.
A verdade era só esta:
eu não tinha inteligência que chegasse.

in, Spoon River

Se vocês aí na vila acreditam que fiz bem
em ter fechado as tabernas, acabado com o jogo
e em ter arrastado a velha Daisy Fraser à presença do juiz Arnett,
entre tantas outras cruzadas para purgar os pecados do povo:
então, por que permitis que Dora, a filha da chapeleira,
mais o inútil do filho de Benjamin Pantier
venham à noite fazer de minha campa a sua ímpia almofada?

in, Spoon River

Se o comboio regional para Peoria
tivesse apenas descarrilado, talvez eu escapasse com vida;
e nesse caso escaparia deste sítio.
Mas como ardeu, eles confundiram-me
com John Allen, que foi enviado para o cemitério judeu
de Chicago, e confundiram o John comigo. Eis a razão por que estou aqui.
Já era mau gerir uma loja de roupa nesta cidade,
mas ser cá sepultado - que horror!

in, Spoon River

      Lee Masters dá-nos a conhecer uma extensa galeria de personagens de uma pequena cidade rural das margens do rio Spoon, retratos esses, porém, tomados sempre como epitáfios: é que é já enquanto mortos que as persona dos poemas falam das suas vidas, das suas ilusões, dos seus segredos, dos casos amorosos, dos seus crimes, das traições, dos seus conflitos, num tom de inevitabilidade tão lógica quanto absurda, tão humorística quanto filosófica.
      As traduções são de José Miguel Silva.

António Arnaut



Todo o fruto é vontade da semente.

Sophie Hunger - Le Vent nous portera




Je n'ai pas peur de la route Faudrait voir, faut qu'on y goûte Des méandres au creux des reins Et tout ira bien Le vent nous portera Ton message à la Grande Ourse Et la trajectoire de la course Un instantané de velours Même s'il ne sert à rien, Le vent l'emportera Tout disparaîtra Le vent nous portera La caresse et la mitraille Et cette plaie qui nous tiraille Le palais des autres jours D'hier et demain Le vent les portera Génétique en bandoulière Des chromosomes dans l'atmosphère Des taxis pour les galaxies Et mon tapis volant Le vent l'emportera Tout disparaîtra Le vent nous portera Ce parfum de nos années mortes Ce qui peut frapper à ta porte L'infinité de destins On en pose un et qu'est-ce qu'on en retient? Le vent l'emportera Pendant que la marée monte Et que chacun refait ses comptes J'emmène au creux de mon ombre Des poussières de toi Le vent les portera Tout disparaîtra Le vent nous portera.

"Tudo vai desaparecer e o vento nos levará" verso resposta a pergunta antiga de Bob Dylan.

Else Lasker-Schüler - Reconciliação



Há-de uma grande estrela cair no meu colo...
A noite será de vigília,

E rezaremos em línguas
Entalhadas como harpas.

Será noite de reconciliação -
Há tanto Deus a derramar-se em nós.

Crianças são os nossos corações,
anseiam pela paz, doces-cansados.

E nossos lábios desejam beijar-se -
Por que hesitas?

Não faz o meu coração fronteira com o teu?
O teu sangue não pára de dar cor às minhas faces.

Será noite de reconciliação,
Se nos dermos, a morte não virá.

Há-de uma grande estrela cair no meu colo.


      Else Lasker-Schüler é uma escritora próxima do expressionismo alemão, original e profunda no seu Zeitgeist. Nascida em 1869 na Renânia, de família judaica, companheira da boémia literária de Berlim dos princípios do século XX, esta autora sublinhou desde sempre a sua diferença em relação aos que a rodeavam: "Nunca pude ser comparada a outras pessoas (...) porque a minha fronte era o céu da noite".
      Os primeiros poemas são de 1899, e depois surgem a participação na revista "Der Sturm", dois casamentos desfeitos, a fuga para a Suíça em 1933 (ano em que Hitler chega ao poder) e os últimos anos vividos na Palestina em condições miseráveis, até morrer em 1945. Para conhecer Else Lasker-Schüler é aconselhável ler as traduções de João Barrento, "Baladas Hebraicas".
      No poema surge a boa e amarga Estrela de David.

Catarina Nunes de Almeida

O poema não é uma asa-delta com um poema
não se levanta voo com um poema somos bem capazes
de nem ir a lado nenhum.

O poema é apenas uma forma delicada
de um homem se despenhar
sobre os destroços de um outro homem.


in, O Dom da Palavra

Amedeo Modigliani - Jeanne Hébuterne



      Disseram-lhe que apagasse o sorriso. Breve, previam-no. O amor é sempre feito de um raio de luz que se desvanece num tempo apertado, tão estreito como os abraços que lhe punham estrelas no olhar. Mal sabiam que o seu amor resistia a lábios cerrados e a olhos rasos de água. A luz habitava-lhe o coração, incendiando-a de dentro para fora. 
Nada breve, o sorriso. Nada breve, o amor.

      in, A vez da Maria
      Nota: Jeanne era esposa e modelo do pintor e escultor Amedée Modigliani (1884-1920) com quem casou em 1915, aos 17 anos, e ele 31. Nasceu uma filha e ambos passaram sérias dificuldades, pois o marido nunca conseguiu vender um só quadro para sustentar a família.
      De novo grávida, de nove meses, e em situação de miséria, sabendo da morte do marido por doença, suicidou-se, atirando-se pela janela de um quinto andar do modesto apartamento dos pais, da rue Amyot, em Paris.
      A partir da tragédia (e pelas mãos dos negociantes de arte que exploraram o caso), a obra de Modigliani valorizou-se e começou a ser adquirida por particulares, galerias e museus. Um destes retratos, por exemplo, foi vendido em 1998 por US 15 milhões de dólares. 

Luiz Marinho - Fado para um amor ausente



Meu amor disse que eu tinha
Uns olhos como gaivotas
E uma boca onde começa
O mar de todas as rotas

Assim falou meu amor
Assim falou ele um dia
E desde então fico à espera
Que seja como dizia

Sei que ele um dia virá
Assim muito de repente
Como se o mar e o vento
Nascessem dentro da gente


      Melodia e arranjos de António Portugal, letra de Manuel Alegre. Tocam António Portugal, António Brojo, Rui Pato, Aurélio Reis e Luís Filipe.

lyrics

O Titanic irá desaparecer dentro de 14 anos



      Em 1985 Robert Ballard, oceanógrafo da Universidade de Rhode Island (EUA), descobriu o Titanic, que naufragou a 14 de abril de 1912, provocando 1513 mortos. Encontrou o navio num bom estado de conservação, tendo em conta que estava há 73 anos no fundo do Atlântico Norte. A preservação do Titanic deveu-se à sua localização, a 3,8 km de profundidade, com pouca luz e elevada pressão, o que não permitiu a sua corrosão. Mas actualmente o seu estado mudou de forma radical: o casco está de tal forma enferrujado que os investigadores consideram que não irá sobrar qualquer vestígio do Titanic dentro de 14 anos. A mudança abrupta neste curto espaço de tempo deve-se a uma bactéria que está a consumir o casco do navio a uma velocidade imprevista.

      in, DN de 12 de julho 2017

G20 in Hamburg



      Há quem não tolere as manifestações e chame sempre aos participantes "arruaceiros". É gente que confia mais nos políticos. Pois, mil zombis cobertos de barro e cinzas andaram pela cidade de Hamburgo em protesto, pedindo mais humanidade e responsabilidade pessoal aos líderes que se encontravam no local para a reunião do G20 – os países mais poderosos economicamente.
      Ao final da manifestação, os zombis retiraram as roupas acinzentadas e destaparam roupas coloridas, libertando-se simbolicamente da massa espessa e rígida. A performance foi realizada pelo grupo 1000 Gestalten.

Solo arável



se eu fosse um grão de trigo
tu serias a terra
e a água
e o sol

numa palavra
preciso de ti
para germinar.


in, blogue Xilre

      Xilre é um blogue da fonte de Jacó. Podemos lá beber água com um balde ou podemos beber da Outra. É preciso uma vasilha em azul cobalto.

Sophia de Mello Breyner Andresen



Ali vimos a veemência do visível
O aparecer total exposto e inteiro
E aquilo que nem sequer ousáramos sonhar
Era verdadeiro.


in, Navegações

2 fotos de Linda McCartney




      Hoje, escutei uma versão muito interessante de Help, feita pelos The Brothers Four. As canções dos The Beatles permanecem perfeitas? Pois, esta versão prova que algumas podem, ainda, ficar mais belas. Ouçam, com o volume de som um pouco mais alto.



When I was younger so much younger than today
I never needed anybody's help in any way
But now these days are gone 
I'm not so self assured
Now I find I've changed my mind 
I've opened up the doors.

Help me if you can I'm feeling down
And I do appreciate you being 'round
Help me get my feet back on the ground
Won't you please, please, help me?

And now my life has changed in so many ways
My independence seems to vanish in the haze
But every now and then I feel so insecure
I know that I just need you like
I've never done before.

João Miguel Fernandes Jorge


Acabei hoje o sabonete cujo uso iniciaste aquando
o teu último banho cá em casa. Ficaram coisas que
te pertencem e que não sei se deva guardar,
a saber: um candeeiro, um desenho, uma fotografia.
Outras coisas ficaram
alguns discos e já não sei que livro. Não ferem tanto.
Há ainda a memória da pele, o amarelo dos olhos e
algumas expressões do teu português falado.
Mas estas últimas coisas já se confundem com o 
espírito da casa, quero dizer-te com a poeira da
casa.


      in, A Jornada de Cristóvão de Távora

      João compre um aspirador, a vassoura nunca apanha tudo. Quanto às coisas deixe-as ficar em lugares visíveis.

Pablo Neruda

diga-me, a rosa está nua
ou tem apenas esse vestido?

porque choram tanto as nuvens
e cada vez são mais alegres?

as lágrimas que não choramos
esperam em pequenos lagos?

que distância em metros redondos
há entre o sol e as laranjas?

não será a nossa vida um túnel
entre duas vagas claridades?

in, O Livro das Perguntas

Rosas danst Rosas



      Desde 1982, que a coreógrafa e bailarina Anne Teresa De Keersmaeker se tem afirmado no âmbito da dança contemporânea. Devido ao impacto da linguagem gestual repetitiva e pós-modernista presente no seu trabalho, ela ilustra as Little Boxes de uma velha canção de Malvina Reynolds.

Golgona Anghel

Somos daqueles que limpam os ouvidos
com a chave do Mercedes
e fazem estalar os dedos,
às escuras, nas salas de cinema;
filhos das vindimas e da apanha da azeitona,
homens, quando a noite usa decote.
Somos, hoje, a melhor geração
de cansados profissionais, os mais vendidos autores do acaso. Treinamos

predadores de moscas,
limpamos passados, fígados gordos, rins cheios de diamantes. Temos as mãos

trémulas, é certo,
mas arrumamos,
seguros,
o dominó, no pátio do Alzheimer,
pois é a nós que procura a seta.
De maneira que não adianta muito termos pressa:
um dia, alguém chamará por nós
e nos marcará no peito
o número da sorte
com o ferro quente
com que se conta,
na Primavera,
o gado.

In, Nadar na Piscina dos Pequenos

Claude Monet - La cabane des douaniers a Pourville





  

      Entre 1881 e 1883, Monet fez uma série de viagens para várias cidades costeiras da Normandia, entre as quais Pourville, onde as paisagens eram atraentes para satisfazer o seu apetite criativo. Esta pequena casa da alfândega foi um dos seus motivos, dali ele olhava o mar, ali ele estava só com o vento e com o som das ondas. Ali, ele ressuscitava um homem vivo.

Jorge Luís Borges

Depois de algum tempo,
aprende-se a subtil diferença
entre tomar uma mão
e aprisionar uma alma,
e aprende-se
que o amor não significa deitar-se
e uma companhia não significa segurança
e começamos a aprender…
Que os beijos não são contratos
e os presentes não são promessas
e começamos a aceitar as nossas derrotas
de cabeça erguida e de olhos abertos
e aprendemos a construir
os nossos caminhos no hoje,
porque o terreno do amanhã
é demasiado inseguro para planos…
e os futuros ficam-se pela metade.
E depois de algum tempo
aprende-se que se for de mais
até o calorzito do sol queima.
Daí que plantemos o nosso próprio jardim
e decoremos a própria alma,
em vez de esperar que alguém nos traga flores.
E aprendemos que realmente podemos aguentar,
que realmente somos fortes,
que valemos realmente,
e aprendemos, aprendemos…
e com cada dia aprendemos.


      Não é bom estar só, Sr. Borges, mesmo que não seja possível estar acompanhado. 

Sibylle Baier - The end



it's the end, friend of mine
it's the end, friend of mine

time is over where we could simply say I love you
now you opened the door
leave me crying
trying to embrace you again
trying to face this damn situation man
I can't
It's the end, friend of mine
It's the end, sweet friend of mine

dear friend, I cannot tell the reasons why we started well
good time, give me some wine when you open the door
you seem hurt, don't try to speak a word to me
what on earth could really go wrong with you and me?
yet its the end, friend of mine
it's the end, sweet friend of mine

time seems to be over where we could simply say I love you
now you opened the door
I feel cold
why can't I hold you in my arms
told you that life is short but love is old
it's the end, friend of mine
it's the end, sweet friend.

      Sibylle Baier is a German folk singer and actress whose musical abilities achieved belated recognition with the 2006 release of the album Colour Green, compiled from songs she had recorded in the early 1970s. Having played the guitar and piano as a young girl, she was moved to write her first song, Remember the day, after taking a road trip with a friend across the Alps to Genoa, via Strasbourg.
      She appeared in Wim Wenders' 1973 film Alice in the Cities, and her music is also featured in Umarmungen und andere Sachen, from 1975, and in Wim Wenders' Palermo Shooting, 2008. Baier opted not to pursue an acting or singing career, and eventually moved to America, where she concentrated on bringing up a family.
      The songs that went on to make up her album Colour Green were home reel-to-reel tape recordings Baier had made in Germany between 1970 and 1973. Some 30 years later, her son Robby compiled a CD from these recordings to give to family members as presents. He also gave a copy to Dinosaur Jr's J Mascis, who in turn passed it along to the Orange Twin label. Orange Twin released the album in February 2006. She is expected to release a second studio album.

      Notes from Wikipedia.

Bob Dylan - Yesterday



      Ninguém canta como Dylan. Ele solta as palavras e interpreta, com lixa, os versos. É certo, que muitos dirão que McCartney canta melhor e que faltam aqui os instrumentos de corda, mas não é de pop music ou de algum tipo de musica de casino que escutamos. Dylan e Harrison retiraram o mofo a algumas das canções perfeitas de Liverpool. 

Noé Sendas



      Diz-se por aí, que os poemas sabem mais que os poetas, mas a sabedoria está no leitor ao adormecer o que sabe para silenciar cada verso. 

Daniel Faria


Há muitos metros entre um animal que voa
E a escada que desço para me sentar no chão
Mas basta-me um quadrado de sossego
Para a distância absoluta

Está para além do que se vê a janela onde me debruço definitivo
Não é uma aparição
Nem se pode alcançar sem se ir em frente caindo

Só no fim da paisagem estou de pé como um para-quedista que desce
Suspenso como os santos num arroubo místico
Erguido como um anjo em suas asas
E sinto-me ser alto como um astro. Nuvem
Como se fosse um homem
Que levita.


      Senhor, se é verdade que existes, devolve-nos o Daniel.

Bénédicte Houart

nem todos os homens que
saem de minha casa saem da minha cama
nem todos aqueles que
saem da minha cama saem de dentro de mim
nem todos os que
saem de dentro de mim chegaram sequer a lá entrar
não, nada é tão líquido assim.

in, Vida: Variações

Kayserberg, village préféré des Français 2017



 




      Kaysersberg é uma cidade francesa, situada na região da Alsácia rural e medieval. Os seus habitantes são chamados de Kaysersbergeois e Kaysersberg significa “a montanha do imperador“. A sua posição estratégica permite o controle de trânsito entre a Alsácia e a Lorena, e por essa razão, a região foi ocupada pelo Império Romano. No início do século XIII, o seu castelo foi construído, e a vida tornou-se próspera na cidade sob o controle da família Hohenstaufen. Kaysersberg tornou-se, então, na cidade imperial do Sacro Império Romano em 1293.



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